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Coluna Tucandeira 16/03/2026

  • Foto do escritor: Fabio Almeida
    Fabio Almeida
  • há 3 horas
  • 14 min de leitura

A política é o espaço concreto ao estabelecimento das diretrizes orientadoras de nosso modo de viver. Muitas vezes, iludidos com a premissa liberal, parcela da sociedade costuma afirmar que não depende do Estado. Essa compreensão individualista do mundo promove uma profunda desconexão com a noção do pertencentimento e da coletividade, priorizando no debate eleitoral premissas efêmeras de cunho metafísico, caminho que ganha, no ocidente, cada vez mais força.


Esse contexto conjuntural espraia-se para nossos entes federados, os quais formulam o discurso político no simbolismo “Deus, Pátria e Família”. Em Roraima, temas como: combate a pobreza, proteção de pessoas vulnerabilizadas, geração de emprego, produção de alimentos, combate às emergências climáticas, proteção ambiental de nossos ecossistemas, combate a consolidação de facções criminosas, combate a corrupção, proteção de nossos povos indígenas, educação e saúde pública de qualidade. Deixam de ser fundamentais em nome da defesa de um Deus guerreiro que quer o aniquilamento do outro, uma Pátria submissa a interesses estrangeiros e uma Família fundada em uma única visão estrutural e com papel subalterno da mulher em seu formato.


As duas últimas eleições majoritárias trilharam esse caminho que nos levou a mantermos péssimos indicadores sociais e econômicos em todas as áreas de avaliação. No próximo dia 30/03/2026, Antonio Denarium, deixará seu segundo mandato - sem que seja julgado seu processo do uso de dinheiro público para conseguir a reeleição em 2022, uma das frases mais simbólicas dele foi afirmar que havia aniquilado o PT em Roraima. Época em que ainda conduzia a insígnia do bolsonarismo golpista ao seu lado, hoje esse grupo de extrema-direita alinha-se ao ex-senador Romero Jucá, levando por simbiose, a movimentos políticos estranhos, a exemplo do Deputado Federal extremista, Nicoletti, este afirmava que Jucá era corrupto. Nicoletti mentia? Ou Jucá não era corrupto, ou Nicoletti aderiu a corrupção.


Na realidade qual os efetivos ganhos do governo Denarium para o povo roraimense? Eu não consigo pontuar nenhum. E você? Na prática estes últimos 7 anos de governo serviram para consolidar uma plutocracia que se apropriou do Estado para garantir seus privilégios, especialmente da aristocracia agrária que ganhou muito dinheiro nesse governo. Enquanto os indicadores econômicos apontam que os roraimenses vivendo com até ½ salário mínimo permaneceram no mesmo patamar. Enfim, aumentamos o PIB, mas concentramos ainda mais a riqueza em Roraima. O monopólio do Frigo 10 na exportação de carne, a Lei 215/1998 com isenção de todos os impostos estaduais para toda cadeia produtiva - veja Denarium tem a agropecuária, a fazenda de gado e o matadouro, nada disso paga impostos - a privatização de setores estratégicos - a exemplo dos silos públicos - a terceirização irrestrita na saúde que dificultou ainda mais o acesso de nosso povo e por fim a militarização de nossas escolas para silenciar a juventude, essas são ações que ampliam as desigualdades em Roraima.


Comecei a coluna citando esse quadro político para abordar a importância que possui uma questão nessas eleições. Qual tipo de Estado queremos? É fundamental que cada um de nós tente responder essa indagação, a fim de que possamos como cidadãos e cidadãs definir de forma mais clara nossas intenções de voto, as quais não podem continuar sendo influenciada por interesses escusos de líderes religiosos que negociam seus fiéis da forma mais vil, usando o nome daquele Deus que dizem defender. Precisamos de um Roraima de forma que possamos: superar as desigualdades; descentralizar a produção para todos os municípios; promover a industrialização por meio de pequenas e micro indústrias; combater privilégios e destinar os recursos para fomento e financiamentos de cooperativas ou consórcios privados, incluindo as organizações da classe trabalhadora; precisamos de uma saúde de qualidade e resolutiva; uma educação que promova a produção de conhecimento.


Observar esses pontos permite compreendermos melhor as movimentações políticas que ocorrem em nosso estado. Roraima, muito em virtude das forças reacionárias que se estruturam no comando da maioria dos partidos possui uma tendência de acompanhar o voto na centro-direita e direita. Desde a redemocratização do país e a eleição do primeiro governador a direita sempre disputou entre ela o controle do Estado. A única oportunidade da esquerda em governar Roraima, deu-se com o PT, em 2023, ao filiar Flamarion Portela, eleito pelo PSL - partido que viria a eleger Bolsonaro em 2018 -, o governador poucos meses após sua filiação foi expulso, quando se comprovou seus crimes de compra de voto, a exemplo que vez Denarium, com Flamarion na chefia da casa civil.


Nos últimos 7 anos a novidade em Roraima, no campo da direita, estabelecesse em torno da hegemonia que se consolida no entorno de Bolsonaro e sua política extremista, a aglutinação das lideranças locais a esse representante do ódio como ferramenta política, não foi difícil, expressa-se na prática em março de 2018, quando afirmou que eleito presidente e Denarium governador passariam com um trator por cima das terras indígenas, não vimos tratores destruindo comunidades indigenas, mas o abandono levou a morte ele milhares de indígenas, especialmente na Covid19 e os milhares de cartela de comprimidos de Cloroquina mandados aos indígenas. Neste mesmo encontro afirmou que não haveria mais demarcações de terras indígenas em seu governo, ele cumpriu a promessa com apoio de um grande percentual dos mandatários roraimenses.


Nas eleições de 2018 e 2022, o bolsonarismo circunda Denarium, eleito com amplo apoio desse extrato social que conseguiu, para Presidente da República, no primeiro turno das eleições de 2018 69,3% e em 2022 69,5 dos votos válidos. Demonstra-se uma consolidação eleitoral que não pode ser desconectada de alguns fatores importantes. Primeiro, a máquina do governo pedia voto cassado nas duas eleições, a prefeitura municipal, apesar de possuir candidaturas distintas ao governo estadual, também pedia voto para a presidência da república no campo bolsonarista. Esse é um contexto que pode não se reproduzir nessas eleições com a guinada do bolsonarismo das hostes do governo do estado para uma aliança em torno da prefeitura de Boa Vista, liderada por Romero Jucá.


Neste contexto, o PL, liderado pelo atual prefeito da capital, promove uma movimentação política interessante, ao tentar unificar a direita e o extremismo de direita em torno de uma única candidatura. Lógico que não em torno de seu nome, já que não largaria a gestão municipal para se aventurar em uma eleição ao governo do estado. Mas, Artur e Jucá movimentam-se de forma a foçar a retirada de 2 nomes da composição da chapa governamental, Sampaio (Republicanos) que aparece com 11% de intenções de voto e o Senador Hiran (União Progressista) que almeja indicar sua esposa para ser vice-governadora. Essa movimentação do PL, capitaneada por Nicoletti - iludido de que seria seu nome o indicado para vice-governador, apesar de 2 mandatos é um político medíocre, basta vê o desastre que foi para seu ex-partido às eleições de 2024 -, possibilitará dois movimentos importantes para o MDB.


O primeiro deles é o desprestígio de 3 adversários políticos, Mecias de Jesus que jogou a toalha e recorreu aos privilégios de ser conselheiro do TCE/RR, já Sampaio possui uma vida política pela frente, apesar de não ser um grande articulador é conhecido como uma pessoa que descumpre promessa, algo ruim na política, mas soube utilizar os milhões de reais do orçamento da assembleia para consolidar uma rede de apoio, da política aos movimentos sociais e sindicais. Mas com essa movimentação do PL resta a reeleição para estadual ou a tentativa de ser federal, impondo, desta forma, uma ruptura com seu guacheba Deputado Federal Albuquerque. Já Hiran, seria defenestrado politicamente e seu mandato em 2030 negociado agora, nos acertos de 2026.


O segundo movimento consiste no barateamento da campanha eleitoral para o pretenso governador Edilson Damião e os candidatos ao Senado Denarium e Teresa. Pois, a máquina pública e o bolsonarismo reacionário retomarão sua estratégia vitoriosa de usar o Estado para garantir uma hegemonia política, seja pela compra de votos, distribuição de cargos ou leilões de contratos. Esse seria o melhor cenário para direita roraimense que capitulou ao bolsonarismo para manter seus privilégios de ckasse. A questão central é como a família Bolsonaro verá a quebra do acordo de 2024 que incluiu a assunção de Zeitoune ao cargo de prefeito em 2026? Esse é o nó que ainda deve ser desatado. 


A busca deles é consolidar uma candidatura hegemônica que contemple as diferenças internas em torno da repartição do Estado aos seus interesses. O povo é um detalhe controlado por fáceis insígnias, aquela de 7 anos atrás “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Se falta merenda, sala de aula ou emprego esse é um propósito a ser superado um dia, basta ter fé nos ungidos que um dia esse quadro de desalento será superado, em nome de Deus. Mas, na mesa o estado é retalhado de forma espúria, gerando privilégios e benesses que a cada dia reduzem nosso povo a pobreza e a juventude em presa fácil para as organizações criminosas que se consolidaram em Roraima sob o governo Denarium. Não esqueçam a denúncia que circunda a campanha de Denarium em 2018.


No outro campo, a oposição de centro-esquerda e esquerda, tenta consolidar uma frente política para contrapor essa hegemonia que a direita alcançou em nosso Estado. Nas eleições de 2018 e 2022, no primeiro turno o PT fez respectivamente 10,5% e 23% ao cargo de Presidente em Roraima, no entanto esses votos no PT não reproduzem votos em seus candidatos a deputados estaduais e federais, se bem que o partido nas duas eleições apoiou a candidatura de Telmário Mota em 2018 e Rudson Leite em 2022, de partidos ldistintos do PT. Não se sabe se com a pré-candidatura de Antônia Pedrosa, ao governo de Roraima, esses votos serão direcionados às candidaturas proporcionais, ampliando as chances eleitorais do PT para os cargos proporcionais.


No entanto, uma eleição polarizada entre Damião e Antonia permitirá um resultado eleitoral incerto, tendo em vista que a polarização, obrigatoriamente tenderá levar o debate eleitoral para questões mais concretas de nossa realidade política, social e econômica. Tendo o PT, com uma candidatura de uma mulher, negra e servidora pública, possibilidades inclusive de potencializar uma derrota eleitoral ao extremismo bolsonarista, se a percepção do cuidado, da escuta e da inclusão do povo no orçamento roraimense conseguir ressoar nos rincões de nosso estado.


Neste contexto, temos ainda o Sampaio que pode nessa aliança da direita em torno do bolsonarismo, optar pelo PDT representar o campo de centro, movimentação que permitiria uma possível aliança entre a centro-esquerda com essa candidatura. Essa é uma possibilidade, em minha opinião, com pouquíssima chance de acontecer, não em virtude de Sampaio que se enfeitiçou com o poder político - tanto que pelo PCdoB foi ser chefe de gabinete de Denarium no auge do discurso bolsonarista em Roraima, quadro que levou praticamente o PCdoB fechar suas portas no estado - mas, devido ao telhado de vidro do parlamentar, hoje no Republicano, já que o deputado estadual é mais um dos membros do jogo sujo que usurpa o orçamento para manter privilégios de determinadas castas em Roraima, seja por meio de contratos públicos, terceirizações ou cargos comissionados que variam entre R$5 mil e R$20 mil por mês. 


Em minha singela opinião o caminho das eleições correm para a apresentação de duas candidaturas ao governo do Estado. As pesquisas internas demonstram intenções de voto de 31% para Lula, como parcela desses votos eram dados a Teresa Surita, a adesão da ex-prefeita ao bolsonarismo pode fazer com que Antônia Pedrosa, herde esse eleitorado, tornando-se uma das principais vozes de um programa popular que possui 1% de chances de sair vitorioso, dada as condições das malas disponíveis no outro campo. Mas, esse percentual pode crescer. A questão central é se o PT e as forças sociais, comunitárias, econômicas, trabalhistas, bem como os demais partidos desse campo assumiram o papel de construção que deveriam ter. As condições objetivas estão colocadas, vejamos como o caminho desenhará os próximos passos. Lembrando que rachas são processos constantes em uma eleição. Esse cenário pode mudar a qualquer momento, essa é uma leitura dessa semana sobre os últimos movimentos já realizados pelos partidos e suas lideranças.

Feira do Produtor

Uma das maiores feiras públicas de nossa capital encontra-se abandonada em sua infraestrutura faz muito tempo. As reformas consistem em arremedos que não enfrentam as necessidades estruturais impostas ao local. As condições sanitárias são péssimas, o esgoto corre por onde as pessoas andam e o descarte de alimentos junta insetos e outros animais. Claro que não é falta de dinheiro, pois desde 2019 que milhões de reais são anunciados e as coisas continuam como dantes. Nos últimos dias da semana, circulou na imprensa e nas redes sociais a imagem de uma mulher lavando as partes íntimas em um bebedouro. Infelizmente, a cena inusitada, serviu para fundamentar a exposição da mulher, não para aprofundar o debate em torno da ausência de estruturas sanitárias adequadas para atender o povo que circula pelo local, inclusive os moradores de rua que prestam serviços aos atravessadores, por comida, cachaça ou míseros R$2,00. Apontar o fato ocorrido a existência de moradores de rua é reproduzir uma perspectiva de aporofobia, quando se vincula o ocorrido no bebedouro a existência de pessoas morando na rua. Alí temos um espaço público sem condições sanitárias adequadas de atender nenhuma pessoa, seja ela moradora de rua ou não. Lembro aqui ainda que equipamentos públicos devem ser abertos para que todos possam usufruir de sua existência, já que mesmo como morador de rua as pessoas pagam impostos neste país. 

Brasil X EUA 

A direita estadunidense deixou vazar temas que seriam supostamente debatidos no encontro dos presidentes - em minha opinião Lula não deveria ir até a suspensão dos ataques ao Irã, membro do BRICS - que colocam o Brasil como lacaio dos interesses do governo dos EUA. O pior é ver representantes e presidentes de partido, próximos ao Bolsonarismo defenderem ideias de que o Brasil seja um depósito e bandidos de outras nações presos nos EUA. Os estadunidenses que cuidem de seus criminosos, por aqui cuidaremos dos nossos. Além disso, quer o governo deles que o Brasil apresente um plano de combate as facções criminosaspara para ser aprovado. Será possível isso? Daqui a pouco teremos que pedir permissão para aprovar determinada Lei. Deixamos de ser uma colônia formal a centenas de anos e assim permaneceremos. Acerta o governo Lula ao reagir contrariamente a proposta, apontando  que o Brasil quer uma cooperação com os EUA para combater a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Quanto ao combate às organizações criminosas, a nova legislação aprovada imporá derrotas importantes, não apenas a estrutura de venda de drogas, mas na corrupção policial, judicial, bem como na lavagem de dinheiro, a autonomia de ação do governo federal para investigar e denunciar as quadrilhas transnacionais irá trazer ganhos imensos, mas essa é uma responsabilidade do Brasil não dos EUA que devem combater as máfias que atuam em seu país.

Tentativa de Estupro

No último dia 10/03, vimos mais um fato horrendo denunciado por uma adolescente que se viu cercada por outros adolescentes que queriam praticar atos libidinosos e filmarem para vender nas puritanas mídias sociais que a extrema-direita brasileira  e mundial não querem regulamentadas, -lógico que em nome de Deus e da liberdade de Expressão - esses canalhas não querem punir empresas por permitir cenas de estupros, abusos de crianças ou mesmo suicídio que rende grana por meio das visualizações. Meu questionamento surge quando não vejo o mesmo empenho da imprensa em denunciar esses fatos quando ocorrem em escolas militarizadas. Compreendo que quando a escola é forjada na pedagogia e dirigida por civis, o conselho tutelar, a polícia e a justiça comum são o caminho natural. Mas, quando a escola é militarizada o caminho dos agressores são outros, já que a fama de que tudo é perfeito nestes centros de doutrinação deve permanecer firme e inabalável.. No entanto, precisamos como sociedade proceder com ações concretas de combate a violência sexual contra nossas mulheres, os indicadores demonstram que o quadro é muito complicado e precisa ser enfrentado com as múltiplas formas de ação, as quais vão além da puniçaão do agressor, necessária, mas não transformadora de uma prática social que se amplia.

México

O governo mexicano acerta em promover ajuda humanitária a Cuba que enfrenta graves problemas em virtude da proibição de improtação de petroleo imposta pelos EUA. O principal fornecedor do óleo responsável pela geração de energia, produzida por térmicas, era a Venezuela que hoje tem 100% do comérciode seu petróleofeito pelos EUA. Desde que a crise ampliou as dificuldades o governo mexicano envia remessas de ajuda ao país. O bloqueio econômico imposto pelos EUA a Cuba desde 1962 impõe múltiplas dificuldades a ilha, mas a capacidade de garantia de energia nunca havia sido motivo expresso do bloqueio, devido às questões humanitárias a ela vinculadas, mas para um governo que torpedeia um colégio e mata mais de 170 meninas e meninos, impedir que uma nação tenha luz elétrica é normal. Em 2025, pela 33ª resolução aprovada no plenário das nações unidas, o bloqueio a Cuba foi denunciado e determinado seu fim. Porém, os EUA exercendo seu poder de veto no conselho de segurança arquivou todas as proposições. O que ocorre em Cuba hoje com a proibição de venda de derivados de petróleo à Ilha é um crime contra a humanidade.

112 anos de Abdias

A data de 14/03/2026 celebra 112 anos do nascimento do ex-senador Abdias do Nascimento, um dos maiores expoentes da luta antiracista no país, exerceu o mandato de senador da república, pelo PDT, entre 1991 e 1998, não era titular da cadeira, era suplente de outro grande brasileiro Darcy Ribeiro, durante 1983 a 1987 exerceu o cargo de Deputado Federal. Exilado por 13 anos devido às perseguições da ditadura militar, ao retornar ao país dedicou-se a retomada da luta antiracista e por leis de reparação ao povo negro. A voz de Addias continua a ecoar nos espaços de resistência da população negra brasileira e mundial, ante os retrocessos de direitos e o reacionarismo racista que cresce na extrema-direita brasileira e mundial. Adias Nascimento Presente.    

Não houve fraude

No último dia 11/03/2026, o governo estadunidense reconheceu a presidenta Delcy Rodriguez como a única autoridade legítima da República Bolivariana da Venezuela, desta forma, assume o governo e a justiça estadunidense o reconhecimento da legitimidade das eleições realizadas em 2025, as quais foram apontadas como manipuladas ou mesmo roubadas. A decisão permite uma maior tranquilidade ao governo de Caracas em proceder com a retomada completa da gestão governamental, exceto no campo do comércio internacional, pois o comércio de petróleo é exclusivo dos EUA, bem como parte dos produtos industrializados adquiridos só podem ser efetivados em relações com empresas estadunidense. Nesse contexto de aceitação de subordinação econômica, o governo venezuelano coloca sobre a mesa a devolução do ex-presidente Maduro e sua esposa, sequestrados pelas forças armadas estadunidense no início de janeiro de 2026, em um crime internacional gravíssimo cometido pelo governo Trump. Ao final e ao cabo terminamos com 8 anos de embargos econômicos que maltratou e impôs a diáspora venezuelana, com uma aliança entre o trumpismo e o chavismo. Até quando esse teatro permanecerá a ser operado em um palco conjunto?

A mídia tradicional e o bolsonarismo

No ano de 2018, a mídia deu o suporte político necessário ao Jair Bolsonaro na disputa eleitoral, especialmente no segundo turno das eleições. Agora, vemos o mesmo protagonismo em torno de blindar Flávio Bolsonaro, pré-candidato às eleições de 2026, transformando-o em uma referência eleitoral, apesar dele manter os mesmo arroubos autoritários do pai. O primeiro erro é compreensível, já o segundo consiste na aceitação de um projeto político extremista que se expressa por meio de um dos maiores eventos do extremismo de direita, realizado no Texas todos os anos. Neste ano, entre os dias 25 a 28 de março, a cidade de Dallas sediará um novo encontro do extremismo de direita do mundo, denominado CPAC. A participação do candidato à presidência do PL foi confirmada, demonstrando o completo alinhamento dele com as ideias ali defendidas.


Durante a CPAC 2025, ao saudar o partido Afd da Alemanha, um dos maiores protagonistas do extremismo de direita Steve Bannon, o fez com o braço erguido, em referência a saudação nazista denominada Deutscher GruB (em alemão) - saudação com a mão espalmalda e o braço erguido a 45º. Além dessa referência de culto ao ódio ao outro, as principais pautas desse movimento são: defesa do modelo tradicional de família; defesa de total liberdade de expressão nas redes sociais (inclusive misoginia); direito de massificação de armas; defesa do estado mínimo; antiminorias; antiimigração; controle do judiciário; punição massiva contra a população; privatizações de empresas estatais; flexibilização e retirada de direitos trabalhistas; ampliação da jornada de trabalho; fim de descanso remunerado.


Ou seja, é nesse espaço de construção política que bebe o candidato do PL, uma candidatura que tentará promover um completo desmonte de políticas públicas, inclusive com a redefinição de direitos coletivos e individuais conquistados com muita luta pelo povo brasileiro e expresso na constituição, como o direito à demarcação de terras indígenas e quilombolas ou mesmo políticas de reparação. Mesmo ante essas premissas a imprensa tradicional caminha como suporte de fomento a candidatura do PL, dando ressonância as acusações sem fundamento contra o atual governo, especialmente na fraude do INSS e no caso do Banco Master, esquemas estruturados no governo anterior e combatidos por meste governo, mesmo assim a imprensa tenta caracterizar a responsabilidade do atual governo pela organização destes atos de corrupção. Apoiar Flávio é alinhar-se com políticas retrógradas que penalizam o povo mais pobre, mas também a classe média.  


Bom dia, com alegria

Fábio Almeida



 
 
 

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