Coluna Tucandeira 02/03/2026
- Fabio Almeida

- há 1 dia
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Sartre, afirmou que “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifeste é sempre uma derrota”. Essa premissa filosófica é fundamental para compreender que numa guerra, neste caso promovida pelos ricos, já que falamos de nações sobre a premissa de organização burguesa, apesar dos EUA organizar-se sobre uma premissa da democracia burguesa e Israel e Irã serem teocracias, são sempre os pobres que derramam seu sangue, seja no campo de batalha ou sob bombas teleguiadas.
Ao analisar os ataques dos EUA e Israel sobre o povo iraniano é necessário observar a mentira como prática política. Primeiro, após a operação “martelo da meia noite” realizada a revelia das nações unidas em junho de 2025, esses países afirmaram terem destruído o programa nuclear iraniano. Portanto, como é possível o referido programa ser a justificativa do novo ataque realizada na manhã de sábado no Irã? Além do descumprimento de todos os acordos internacionais, algo já complicadíssimo, vemos que a mentira se tornou prática efetiva da política internacional.
Antes de entrar efetivamente na análise geopolítica deste ataque militar que pode ser apontado como uma agressão a soberania de um país que se encontrava sentado a mesa de negociação, mas não renunciava a sua soberania. Precisamos falar sobre a forma deliberada que os acontecimentos bélicos, especialmente os conduzidos pelos EUA e Israel, assumem como foco central o assassinato de crianças, adolescentes e adultos do sexo feminino. Em Gaza esse percentual foi de 37,4% do total de 75 mil pessoas que perderam a vida.
Essa é uma prática concreta que demonstra a perspectiva misógina da guerra e uma prática que se fundamenta em exterminar o processo natural de continuidade de um povo, ou seja, um crime contra a humanidade. Em agosto de 2025, um dos generais israelenses afirmou que não importava se os mortos em Gaza eram crianças. Esse modus operandi vemos agora no Irã, quando israelenses atacam uma escola de meninas, assassinando mais de 82 mulheres. Um crime de guerra que precisa ser punido de forma exemplar. Mas, as organizações internacionais possuem força para isso?
Porém a guerra protagonizada pelos EUA e Israel ao atacarem o Irã fundamenta-se em duas premissas básicas. A primeira tentar influir em uma nação organicamente opositora da influência estadunidense na região e contrária ao caráter expansivo da nação israelense. Destruir a forma de organização política iraniana é vista por esses países guerreiros e assassinos a consolidação de uma supremacia política na região, a qual possui ampla importância estratégica no cerco a Rússia e na consolidação de forças militares que possam pressionar a China.
Economicamente, o controle político da nação iraniana significa para os EUA a consolidação de um protetorado que é o 8º produtor de petróleo do mundo. Estrategicamente o governo americano teria sobre controle de seus interesses econômicos, após o sequestro de Nicolas Maduro, presidente venezuelano, cerca de 9% da produção de petróleo e 30% das reservas internacionais deste insumo essencial ao processo de desenvolvimento capitalista, mesmo ante as novas fontes de energia. Portanto, o ataque possui também uma perspectiva econômica que possibilitaria um pleno controle dos EUA do mercado de petróleo, atingindo diretamente a China já que o Irã e a Venezuela representam 20% da importação de petróleo do antigo império do meio.
Visto essas características do conflito que perpassam de crimes de guerra a interesses geopolíticos e econômicos é fundamental entender que por trás das bombas que ceivam vidas encontra-se uma política expansionista estadunidense que tenta retomar o conceito de áreas de influência, reacendendo uma lógica equivocada surgida na guerra fria. A prática consiste em estabelecer pleno domínio econômico das regiões, não apenas sob o viés político, mas impondo que o ciclo comercial tenha preferenciabilidade aos produtos estadunidense, retomando premissas basilares do mercantilismo, onde as colônias eram obrigadas a adquirir os produtos das metrópoles. Esse é um grave retrocesso político nas relações mundiais, ao retomar os princípios do imperialismo que impingiu morte, roubo e opressão em várias nações do sul global.
A agressão ao Irã politicamente é um ato bélico contra uma das nações integrantes do BRICS e uma das principais economias mundiais que abandonaram o dólar como principal moeda de suas relações internacionais, essa uma medida imposta a partir do bloqueio econômico imposto pelos EUA. Desta forma, a recente agressão também se fundamenta como uma ação direta de desarticulação da organização econômica que busca novas premissas produtivas, superando a lógica de servidão econômica as nações centrais do capitalismo. A grande questão é como reagirá o BRICS? A retórica de repúdio será adotada como prática de resposta ou veremos ações mais contundentes contra a sanha sanguinária e econômica dos EUA?
Teremos mais 3 anos de governo do extremista Donald Trump, o momento de as nações imporem limites a suas pretensões expansionistas é agora. Em um passado recente cometemos o erro de permitir que Hitler tomasse essas mesmas medidas e quase permitimos um desastre mundial, além dos milhões de mortos, entre estes os judeus que hoje veem seu Estado Nação proceder com práticas idênticas as impostas ao seu povo. Não podemos aceitar que o descumprimento das normas internacionais estabelecidas pela ONU seja rasgado em nome do interesse econômico e geopolítico de uma nação. Desta forma, a condenação deve ultrapassar a retórica política e assumir posições claras de rompimento das relações internacionais, não há outro caminho as nações. Ou levantam-se ou ajoelham-se ante o Império.
Para terminar é fundamental falar sobre armas atômicas. Os EUA e Israel não são signatários do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas (TNP), já o Irã é signatário do tratado que veda o uso da tecnologia nuclear para construção de armas. Essa uma das maiores incongruências mundiais. Politicamente não é possível países que não submetem suas instalações nucleares a fiscalizam da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) imporem a outros países que se submetem a fiscalizam exigências que não se coaduna com sua prática bélica. Infelizmente, vivemos em um mundo onde o domínio do enriquecimento de urânio para produção de armas tornou-se uma ferramenta de proteção, veja a situação da Coreia do Norte que consegue desenvolver e reproduzir sua forma de nação sem ameaças bélicas das nações guerreiras. Portanto, o discurso em torno da produção de armas atômicas no Irã consiste em mais uma mentira da ordem sanguinária imposta pelos EUA e Israel ao oriente próximo e a Ásia.
Aumento da Gasolina
Estamos longe da sanha guerreira dos EUA, mas o Brasil será atingido diretamente pela guerra, em um primeiro momento com o aumento do preço do combustível, já que o petróleo tipo brent havia fechado o valor do barril em dezembro de 2025 a U$60,25, chegando em 01/03/2026 a U$78,36, ou seja 23% mais caro. O impacto em países dependentes como o Brasil da importação de derivados imporá aumentos generalizados, impactando a inflação e provavelmente interrompendo a tendência de queda dos juros apontada pelo BC. A guerra prologando-se os impactos serão maiores para o país já que o Irã apesar de representar apenas 0,84% das exportações brasileiras representa uma das relações comerciais com superávit, ou seja, mais dólares entram do que saem do país. Enfim, além dos riscos do espalhamento da guerra sofreremos diretamente com nossas exportações.
Sou bolsonarista
Teresa Surita em uma entrevista neste domingo assumiu que seus destinos políticos dependem da decisão e interesse da família Bolsonaro. Lamentável vermos uma liderança política portasse dessa forma, relegando suas perspectivas a um grupo político que tentou um golpe de estado para se manter no poder. Teresa sempre foi uma política de centro-direita, signatária do programa Ponte para o Futuro do MDB, mas nunca havia demonstrado flertar com ruptura com o estado democrático. Inclusive é bom salientar que não adianta a ex-prefeita de Boa Vista afirmar que não é extremista, pois ao determinar seu futuro político a lideranças extremistas estabelece elos sólidos com os admiradores de Brilhante Ustra, um dos torturadores na ditadura militar que colocava ratos na vagina de suas vítimas mulheres.
Na entrevista Teresa ainda se intitulou conservadora, colocando em seu colo uma visão de mundo que desconstrói a conquista de direitos, inclusive para nossas mulheres. Como é possível a mulher que promoveu a Parada Gay de Boa Vista alinhar-se com um discurso político que afirma ser o homossexualismo uma doença? Nesta lógica de tentar atrair os votos do bolsonarismo extremista de Roraima adotou uma postura contra o STF, afirmando que o país é governado pelos ministros, não pelo executivo e legislativo. Isso escutamos de vozes pérfidas como Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, mas para tentar um cargo eletivo ela demonstrou-se subalterna ao ideário da extrema-direita brasileira. A sujeição foi tamanha que afirmou que não era ambientalista e defendia o agronegócio, faltou apenas chamar o Lula de Ladrão, mas não esqueceu de vangloriar Bolsonaro como um grande líder político e vítima do sistema quando se ofereceu para ser candidata ao governo ou ao senado pelo PL.
Teresa que se encontra com sua expressão política em descenso resolveu transformar seu legado construído de forma sólida em Boa Vista, inclusive junto as pessoas de centro e centro-esquerda pelo ralo, para tentar ser uma referência do extremismo de direita defendido pela família Bolsonaro. Sua fala é a demonstração concreta do seu fim que será vergonhoso e sem a capacidade de liderar processos, perderá abraçada ao Nicoletti, aquele que a chamava de corrupta.
Chapa Governamental.
O Mecias, o oportunista que assumirá a vaga no TCE apenas de sua esposa for escolhida como vice-governadora, ficou revoltado ao ver um vídeo do atual vice-governador de Roraima, Edilson Damião chamar a Deputada Federal de minha senadora, 24h depois de permitir o anúncio de que a chapa ao governo será fechada com o Deputado Estadual Sampaio que deve disputar o cargo de vice governador pelo PDT, na tentativa de aproximar o governo Lula da chapa de direita. A aliança reproduz uma movimentação dos deputados estaduais que deu errado quando Airton Cascavel foi vice de Neudo Campos – o condenado no esquema gafanhoto de desvio de dinheiro público que tentará se eleger federal nessas eleições de 2026. Ser vice não é ter o poder de mando, especialmente de um candidato ao governo que não cumpre acordos políticos, portanto a tendência são os deputados estaduais em sua maioria não acompanharem o atual presidente da casa que terá de se afastar da presidência da assembleia legislativa para concorrer a um cargo distinto da sua reeleição como deputado estadual. No fim, não será governador tampão e perderá as eleições, pois Damião não será governador, devido a cassação do mandato.
Fraude
A CPMI do INSS conduzida por bolsonarista de carteirinha demonstraram mais uma vez que sua prática política se estrutura na mentira e no tapetão. Em uma votação ocorrida na última quinta-feira, o presidente da mesa diretora Carlos Viana (Podemos/MG) conou 7 votos da base de sustentação do governo, quando existiam na prática 14 votos manifestados. Ao ser desmentido pelas imagens, resolveu adotar outro discurso, que na realidade podem ser 14, mas ele viu apenas 7, mesmo assim o governo havia perdido, pois seriam necessários 16 votos dos 31 presentes e o governo só teria tido 14. No entanto, no plenário da CPI havia presentes apenas 21 parlamentares titulares. A imprensa transformou o caso numa questão sobre a quebra ou não do sigilo fiscal e temático de um dos filhos do presidente Lula, sigilo esse já quebrado pelo STF em janeiro, deixando de debater a situação esdrúxula e antidemocrática de mesmo tendo minoria o presidente da mesa diretora aprovar uma matéria. Essa é uma situação seríssima que ataca mais uma vez nossa democracia. É necessário que o presidente do Senado anule a votação para que se restabeleça os princípios regimentais da casa legislativa.
A manifestação de rua dos golpistas
O ato da extrema-direita golpista realizada hoje na avenida paulista mais uma vez pediu impedimento do Presidente da República e de ministros do STF. Malafaia o político reacionário que usa o nome de Deus para justificar seus crimes, pediu que Alexandre Moraes prenda-o, precisamos que tenha calma, pois, as investigações estão caminhando e chegará a hora deste incrédulo da Democracia cumprir sua restrição de liberdade. Durante o ato várias falas pediram novamente que o presidente estadunidense intervisse no Brasil, após essas falas até que faz sentido o nome da manifestação “Acorda Brasil”, perceba como todos que alí estavam não defendem a pátria, muito menos um país soberano, desejam que sejamos colônia dos EUA. Na nova República temos pela primeira vez um candidato vassalo dos interesses estadunidense, disputando a presidência da república.
Antes da fala do Flávio Bolsonaro foi veiculado um vídeo sobre segurança pública mostrando cenas de pessoas sendo assaltadas e assassinadas no país, vinculado a essas cenas imagens do presidente Lula. Porém, a responsabilidade pela segurança pública é dos governadores de estado, se vivemos um caos a culpa é da gestão estadual, não da federal. Em uma publicação aqui na Tucandeira demonstrei como em 3 anos de governo Lula foi repassado mais recursos para segurança pública de Roraima que nos 4 anos de Bolsonaro. Ao final desse vídeo utilizando-se da imagem da deputada federal Erica Hilton foi colocada uma mensagem racista “O Brasil está cansado de pretos que viram brancos”.
Precisamos como sociedade passar a régua e derrotar definitivamente esses golpistas que transformam sua política em um escopo de ódio contra seus adversários, tendo a mentira sua principal retórica e no preconceito sua prática política. Precisamos de um país que rompa com os privilégios e promova a distribuição de renda e riqueza, não de golpistas protofascistas que proclamam intervenção de outro país sobre nossa nação. Em Roraima o chamado do ex-deputado federal Nicoletti foi um fiasco.
Bom dia com alegria.
Fábio Almeida


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