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Coluna Tucandeira 09/02/2026

  • Foto do escritor: Fabio Almeida
    Fabio Almeida
  • 9 de fev.
  • 11 min de leitura

O mês de novembro foi marcado pela decretação, pelo BC, do fim das operações financeiras do Banco Master, instituição privada envolvida em crimes contra a economia popular e fraudes bancárias, as quais veremos mais à frente. Pois, o foco central desse nosso encontro de hoje é analisar as condições efetivas que levaram o Master a estruturar uma rede fictícia de lastro financeiro para suas operações de crédito, muitas vezes socorridas por meio de investimentos realizados pelo patrimônio da classe trabalhadora, oriundos de fundos de pensão existentes em nossos estados e municípios.


Entender um pouco a história desse processo é fundamental. Daniel Vorcaro adquiriu com aval do Banco Central (BC) o banco Máxima, posteriormente denominado Master (mestre em inglês), isso ocorreu no ano de 2019, logo após a chegada de Bolsonaro ao poder central no país. Nessa época, Roberto Campos Neto, empossado em 28/02/2019, presidia a instituição responsável pela operação bancária. Mesmo o empresário Vorcaro figurando em investigações do MPF que apontavam seu envolvimento com fraudes em empréstimos previdenciários a compra foi sancionada.


A legislação brasileira impõe que qualquer pessoa a se estabelecer no sistema bancário deve atender a critérios objetivos de reputação ilibada e capacidade técnica para acionistas. A questão central é como uma empresa, possui seu dono com processo de investigação instaurado na CVM, mesmo assim consegue adquiriu um banco? Claramente identifica-se a omissão do BC nesse processo. Ou falamos de relações políticas, já que Vorcaro doou, na campanha de 2022, R$3 milhões para eleição de Bolsonaro e R$2 milhões para eleição de Tarcísio, por meio de seu cunhado Fabiano Zettel? 


As relações políticas não estão apenas no núcleo central do governo Bolsonaro, parlamentares a exemplo de Ciro Nogueira, presidente do PP, é um dos políticos que possuía relação direta com Vorcaro. Até o STF possui ministros envolvidos com o Master, desde o contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o banco, até dezenas de viagens custeadas, pelo Vorcaro, para ministros participarem de eventos institucionais, promovidos pela instituição bancária extinta.


Em relação ao governo Lula, que autorizou as investigações, após a chegada de Galípolo à presidência do BC, possui pessoas relacionadas com Vorcaro, as quais levaram-no para uma audiência com o presidente em 4/12/2024, 27 dias antes do novo presidente do BC, aprovado pelo Senado Federal tomar posse. Ou seja, Vorcaro tentava manter as mesmas condições de proteção institucional que teve durante o governo Bolsonaro, mas seu pedido tomou outros caminhos em nome da institucionalidade do sistema financeiro. Some-se a necessidade do governo em regular um sistema de crédito instituído pelo banco central em 2018, ainda no governo Temer, quando Ilan Goldfajn presidiu a autoridade monetária nacional. A nova estrutura era completamente desregulada sem acompanhamento algum pelo BC.


Neste ano, publica-se a resolução nº4.656, de 26 de abril de 2018, criando as estruturas financeiras: sociedade de crédito direto (SCD); e a sociedade de empréstimos entre pessoas (SEP). As condições estabelecidas nesta regulação não impuseram as mesmas exigências de comprovação de ativos e monitoramentos estabelecidos às instituições financeiras tradicionais. Dessa forma, as conhecidas Fintechs transformaram-se em um espaço fortuito para todo tipo de crime financeiro, inclusive com a entrada das máfias (PCC e CV) nestas operações para lavar dinheiro, como demonstram as investigações da operação Carbono Oculto. Entre as instituições financeiras investigadas, por essa operação, encontram-se Golden Green, Global Carbon, Reag, Aliance Participações, VIC Participações, Reag Investimentos e Banvox, todas vinculadas diretamente a Vorcaro.


A fragilidade de monitoramento da autoridade monetária foi parcialmente solucionada por meio da resolução nº 494, de 05 de setembro de 2025, publicada pelo BC, estabelecendo que aquelas SCD e SEP devem regularizar seus atos partir de 01/01/2026, onde não podem mais emitir moeda eletrônica, pós-pago e credenciadores sem a aprovação do BC. Todas as Fintechs terão: que protocolar seu pedido de atuação no sistema financeiro, pois antes podiam existir sem autorização do BC; obrigatoriamente devem ter sede física, até então, desde 2019, podiam ter sedes virtuais; todas as empresas deverão apresentar ao BC métodos de certificação técnica e avaliação em governança de prevenção de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo.


Essas medidas são avanços importantes, mas demonstram claramente que o regramento legal brasileiro, em relação ao sistema financeiro, precisa ser reanalisado, pois a ausência de normatização promove riscos maiores à transparência da gestão financeira e monetária em nosso país. No entanto, como tratar desse tema em um congresso medíocre como o que temos? Onde, a prioridade é um debate conservador/reacionário que visa uma determinada moralidade cristã que tenta se impor ao país, em detrimento de enfrentar contradições do sistema financeiro que amplia a concentração de riqueza e renda no país.


Neste sentido é importante salientar a contradição existente no acompanhamento e fiscalização do sistema financeiro. No país enfrentamos uma ausência de regulação institucional que fragiliza a regulação das instituições bancárias e das sociedades de créditos. Hoje, o BC supervisiona as instituições e a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) fiscaliza os produtos ofertados. Enfim, essas estruturas, a primeira monetária, a segunda fiscal, não possuem olhares completos sobre as ações das instituições financeiras, fragilizando a atuação do processo de regulação e reorientação de rumos.


O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já apontou que a fiscalização dos produtos ofertados deveria ser centralizada na autoridade monetária, ou seja o BC. Para concretizar esse movimento é necessário um debate parlamentar em torno da revisão da legislação financeira do país, não é possível apenas a publicação de um Decreto para resolver essa situação. Necessariamente o caminho não precisa ser esse, podem os parlamentares encontrar outros caminhos. No entanto, o parlamento quer abrir uma CPI, não aponta para estabelecer uma comissão especial que enfrente essas contradições do sistema financeiro que necessitam ser superadas.


Outras questões a serem enfrentadas consiste no afrouxamento de regras quanto a investimentos de recursos de fundos de pensão em títulos podres do sistema financeiro. Não podemos ter nossos trabalhadores penalizados por gestões perdulárias, muitas vezes comprometidas com atos criminosos que imputam prejuízos as previdências públicas. Portanto, a crise bilionária criada pelo Master demonstrou essa fragilidade que necessita ser enfrentada pelo congresso brasileiro. Outra questão a ser observada e que necessita de legislação para regulação é a comercialização de carteiras de crédito sem o devido lastro financeiro.


Enfim, precisamos aproveitar a correta atuação do BC, em parceria com o MPF e PF, que demonstrou a fragilidade do sistema financeiro para estabelecer um regramento que fortaleça não apenas a fiscalização e regulação do setor, mas que imponha limites quanto ao crescimento das despesas financeiras do governo com juros, determinando que acima de um teto, o governo ficaria proibido de emitir títulos, sendo necessário que o congresso aprove a emissão dos papéis. Não podemos deixar passar essa farra financeira que será paga por todos nós e não impor limites à espoliação da riqueza nacional, estruturada por meio do pagamento de juros. 


O que temos de exposto nesse caso do Master são as relações do sistema financeiro com o poder político no Brasil, a demonstração maior dessas relações são os recursos públicos destinados a ampliação do lucro dessas instituições financeiras que apenas em 2025 terão quase R$1 trilhão do orçamento federal, apenas com o pagamento de juros. No capitalismo, a relação de poder se estabelece pela força econômica dos setores, hora com mais ganhos efetivos, em outros momentos com menos ganhos, mas sempre com ganhos que saem do orçamento público, permitindo, assim, que os recursos de nossos impostos possam financiar nosso povo, não a ampliação da concentração de renda..


Caos na Segurança Pública

Vivenciamos os últimos dias do governo Denarium, o Cassado. Na segurança pública, apesar da ampliação dos investimentos do governo federal, a gestão do governador nessa área, agora entregue a um sobrinho sem experiência administrativa, terminará com Roraima dominada por facções criminosas - onde existem áreas em que a polícia já não entra - bem como com policiais criticando a falta de estrutura de trabalho e a ausência de recomposição salarial. Porém, os piores indicadores estão nos resultados. Somos um dos estados que menos soluciona crimes contra a vida, além de sermos campeões nacionais em violência contra crianças, mulheres e membros da comunidade LGBT, especialmente a comunidade transexual. A violência no trânsito que ceifa vidas e amplia custos operacionais do SUS/RR também possui dados alarmantes, especialmente quando olhamos as mortes em nosso sistema viário estadual, federal e municipal. Normalmente, o PP e Republicanos que dominam o processo de gestão do Estado, tentam transferir a responsabilidade desse quadro para o governo federal, uma prática comum da direita roraimense, incapaz de enfrentar os reais problemas de nosso povo. Mas, a sociedade precisa lembrar que se nossas crianças são violentadas a culpa é desses partidos e de Denarium.

Trabalho por Aplicativo

O PLP 152/2025 em discussão na Câmara dos Deputados pretende estabelecer regras ao processo de exploração imposto pelos aplicativos e sua relação com a prestação de serviços, especialmente os de locomoção e entregas. O movimento dos trabalhadores e trabalhadoras desse setor ainda possui posições contrárias ao projeto. Uma das principais demandas diz respeito às taxas de retorno, o movimento havia estabelecido um valor, mas o relator Augusto Coutinho (Republicanos/PE) propôs um valor menor. A garantia de cobertura pelo aplicativo de um seguro de vida e transparência algorítmica são outras demandas que requerem os trabalhadores por aplicativo. A exigência de certidão negativa de antecedentes criminais, proposta pelo relator, estabelecerá um processo de exclusão de pessoas que já passaram pelo sistema prisional do trabalho informal, da mesma forma que ocorre no trabalho formal. 


A proposta é uma das prioridades do governo Lula que pretende encerrar o governo com um mínimo de regulação nesse setor de trabalho que cresce de forma desordenada, ampliando a exploração da classe trabalhadora e centralizando a riqueza nacional nas mãos dos donos dos aplicativos. No entanto, o lobby das empresas no congresso nacional consiste em um empecilho para o andamento célere do projeto, pois na mesa de negociação os parlamentares atenderam interesses de ambos os lados, mas especialmente atendem os interesses dos empresários donos dos sistemas de aplicativo que encurtam as relações comerciais em todo o mundo. Estabelecer direitos e garantias a esses trabalhadores é fundamental, felizmente é um debate que podemos realizar em nosso país.


Ações Afirmativas

Esse é um dos temas que deverão mais uma vez pautar parte do debate eleitoral no país, especialmente quando posições divergentes existentes nos programas políticos e linhas ideológicas que separam o conservadorismo reacionário cristão e o “progressismo”, a direita democrática e a esquerda. O coletivo de mulheres ‘A Ponte’ publicou recentemente um documento apontando a necessidade de que o Estado brasileiro adote políticas públicas de ação afirmativas para garantir mais representatividade de mulheres nos espaços de gestão e na ocupação de funções públicas. Esse debate é importantíssimo, pois além de pessoas com deficiência, indígenas, negros e LGBT’s, temos que ver mais mulheres nesses espaços. Essas são medidas que necessitam de um debate sério que possibilite a diversidade de olhares no processo de planejamento de políticas públicas. Na recente retomada do ano judiciário fiquei olhando aquela imagem e vendo como mulheres, indígenas, negros e deficientes estão ainda ausentes das relações de um dos principais espaços de poder de nossa República.

A cara do Governo Denarium

O Centro de Liderança Pública divulgou seu ranking de competitividade dos Estados, Roraima está na 24ª posição, uma expressão concreta da ineficiência do governo Denarium nestes 7 anos de governo. Entre os sete estados da Amazônia somos a 4ª pior unidade da região. Comparado com o ano de 2018, quando Denarium assumiu como interventor, perdemos 4 posições, ou seja, na política pública o governo de Denarium consegue ser pior que o governo de Suely Campos.


Em 2025, perdemos 4 posições no item de sustentabilidade ambiental, fator esse fruto da completa complacência da atual gestão com ações que agridem diretamente a produção sustentável. Porém, os critérios da Educação (23ª posição), Eficiência da Máquina Pública (26ª posição), Infraestrutura (25ª posição), Segurança Pública (26ª posição), (Inovação (26ª posição) e Sustentabilidade Social (25ª posição) demonstram que o governo de Denarium nos levou a uma letargia ou a retrocessos administrativos.


Esses dados são importantes para que a sociedade avalie claramente quanto o governo Denarium é ineficiente, apesar do orçamento público nestes 7 anos ter ampliado, saímos em 2018 de R$3,6 bilhões, para R$8,8 bilhões em 2025, uma variação de 144%. O argumento de que o problema é a inexistência de recursos é uma inverdade, claramente. A partir dos dados da pesquisa e das posições ocupadas, por nosso Estado, o problema é incapacidade de gerir a unidade federativa, mas Denarium quando ascendeu ao poder seu compromisso era com uma oligarquia agrária, esses ganharam muito neste governo, enquanto o indicador de pessoas vivendo com até ½ salário mínimo manteve-se estável em 49%. Sob Denarium, no ritmo em que escolas de ensino médio reduziram o número de salas de aula, ampliou-se proporcionalmente a contração de renda e riqueza em Roraima.

Entre carne há política?

Em Roraima sim. Denarium (PP) e Mecias (Republicanos) resolveram demonstrar o racha da direita publicamente por meio de carne assada. Lógico que a situação pode ser contornada, até temos um bode expiatório para isso, o atual vice-governador Damião (Republicanos) que foi um intruso na festa de Mecias ocorrida ontem, 08/02/2026. Dois jantares foram realizados, no de Denarium 7 Prefeitos e alguns deputados estaduais, no de Mecias 13 Prefeitos, metade da bancada federal e 2/3 dos parlamentares estaduais. O baixinho milionário que fez um movimento errado ao disponibilizar seu nome ao TCE, cobrou na cara dura a fatura, ao afirmar em seu discurso que as pessoas prometem as coisas e não cumprem, classificando-as de traidores, mas até o dia 15 de março pode cumprir com sua palavra.


Uma coisa Denarium pode se vangloriar, pelo menos não teve investigados por corrupção declarando apoio a sua candidatura ao senado, como Mecias teve dessas pessoas para ser governador. O que na prática está em jogo é a vacância do cargo de governador, Mecias sonha com esse cargo – algo terrível para nosso povo se acontecer – vê uma oportunidade concreta, mas a existência do Damião, impede a consolidação de seu projeto político, já que este também viu a oportunidade de governar os cofres de Roraima e é do mesmo partido de Mecias.


Como um bom estrategista Mecias organizou o jantar aglutinando as pessoas do mesmo município em espaços distintos no local do evento. A proposta permitiu acompanhar efetivamente todas as pessoas que apareceram, possibilitando uma reconstrução tática de suas alianças locais. Em seu discurso, o senador da república apresenta-se como pai de várias ações, desconsiderando a atuação efetiva de toda a bancada de Roraima em temas centrais para o Estado, a exemplo do linhão de Tucuruí e da transferência das terras. No auge de sua arrogância proclamou que os gritos de seus cabos eleitorais para que permanecesse como Senador e se candidatasse ao governo era uma proclamação do povo de Roraima. Felizmente, não é isso o que dizem as pesquisa, o parlamentar enfrenta uma das maiores rejeições, ganhando inclusive de Romero Jucá.


Mantendo-se essa trinca na direita roraimense que envolve MDB, PP e Republicanos existe uma boa possibilidade de construir um outro polo político para disputar o governo de Roraima e as eleições ao Senado, a Câmara dos Deputados e a ALE/RR. A questão central é se temos lideranças capazes de estruturar uma aliança que promova uma alternativa concreta para melhoria da qualidade de vida dos roraimenses. Uma alternativa seria o PT, com sua nova direção, construir essa alternativa por meio da sua pré-candidatura ao governo de Roraima, já que Lula melhorou significativamente suas intenções de votos em Roraima, chegando a 31% nas pesquisas recentes. O problema é se o PT possui efetivamente esse interesse político em nosso Estado.

Sampaio, o cabo eleitoral

Com voz altiva o presidente da ALE/RR bradava pelos quatro cantos de Roraima que não abria mão de sua candidatura ao Governo. Ontem, mostrou sua sujeição histórica ao senador Mecias de Jesus, ao retroceder em seus ideais e prostrar-se aos pés do parlamentar federal, ao afirmar que estava ali para seguir as ordens do baixinho dos milhões. Algumas pessoas afirmaram durante o dia de hoje que Sampaio saiu do evento como vice-governador, um ledo engano. Sampaio saiu do evento como Deputado Estadual que terá muita dificuldade para se reeleger, tendo em vista disputar pela primeira vez sendo uma das vitrines do poder político roraimense, mas aos olhos de todos, submisso em suas posições políticas. Ele na realidade não tinha nada a agregar na conjuntura política do estado, pois em 15 anos como parlamentar não conseguiu mostrar nenhuma iniciativa para nosso povo, apenas tornou-se mais um entre tantos que se lambuzam nesse rio de privilégios que é a administração pública roraimense.

Espantoso

A rede de boatos políticos, em Roraima, afirma que existem parlamentares com mais de R$10 milhões para disputa de sua reeleição a ALE/RR. Sendo verdadeira essa assertiva veremos muitos candidatos elegerem-se, mas terem seu mandato sob a berlinda da justiça eleitoral. No entanto, como sociedade não temos muito a esperar já que a justiça eleitoral se demonstra inerte em garantir que os pleitos eleitorais de nosso estado sejam realmente limpos da corrupção eleitoral. Essa última gestão que finda no tribunal até que tentou, ao cassar o mandato de Denarium por corrupção eleitoral efetivada com recursos públicos, mas o TSE, resolveu deixar o Cassado governar em paz, prejudicando diretamente o povo roraimense, já que as denúncias de corrupção não deixam de circundar Denarium.


Bom dia, com alegria.

Fábio Almeida

               


 
 
 

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