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A direita leva. O povo perde!

Foto do escritor: Fabio Almeida
Fabio Almeida
6 de out.
3 min de leitura

Escrever sobre as eleições de 04/10/2026 impõe a necessidade de analisar qual Democracia almeja nosso Povo? Não há Democracia quando primamos por eleger quem possui como slogan central "soltura a quem tentou um golpe de estado", ou mesmo, "precisamos punir magistrados da suprema corte". Essa reflexão é necessária para buscar compreender a deterioração do termo Democracia em uma sociedade burguesa.


O poder do povo efetivamente nunca esteve centrado no povo, mas era estruturado nas premissas de Montesquieu, ao aprofundar as percepções de Aristóteles e Locke, estabeleceu a funcionalidade dos poderes legislativo, executivo e judiciário como tríade do Estado Burguês, enfrentando a estrutura teocrática vivenciada na Europa, durante a idade média. Assim, a harmonia e independência tornaram-se fundamentos essenciais da estruturação do Estado liberal preconizado por Adam Smith.


Como manter de pé essa premissa teórica quando na campanha eleitoral dos 28 senadores eleitos pelo partido liberal (PL) a principal bandeira era intervir com o legislativo no judiciário? Ou seja, desde a campanha eleitoral nos foi apresentada uma lógica de conflito como prática política. Assim, a decomposição das estruturas do Estado burguês passou a ser uma retórica política. No entanto, querem eles reverter os marcos ideológicos e teóricos de seu liberalismo? Em minha opinião não. A premissa do inimigo do povo, aprofundada por Carl Schmitt (O Conceito do Político 1932), consiste em uma estratégia para aprofundar a coesão e identidade da sociedade a um grupo político.


Desta forma, desde o ano de 2023, a centralidade da direita foi apontar o STF como o mal a ser combatido. Assim, trabalhadores e trabalhadoras de todo o país aglutinaram-se para possibilitar que o PL chegasse ao Senado Federal com 28 senadores, a direita totalizará 50 cadeiras, ficando a 4 votos para compor a maioria de 2/3 necessária por exemplo para aprovar impedimentos de ministros do STF. Esse quadro levará ao fim da harmonia entre os poderes, já que os ministros da mais alta corte judicial não terão mais liberdade de julgar processos, pois a guilhotina fo legislativo poderádecepar cabeças. Assim, quebrasse a primazia do Estado Burguês, assumindo nosso país um caminho autocrático vivenciado em outras nações.


Este jogo de captura de massas eleitorais, possuiu um árbitro que ajudou imensamente na reta final das eleições. O ministro do STF, André Mendonça, ao expor de forma arbitrária determinados colegas da corte, potencializou as candidaturas da direita e extrema-direita brasileira. Tenho certeza de que o objetivo central do juiz não foi colocar o excelente emprego de seus colegas e dele mesmo em risco. Mas, potencializar uma quinada do parlamento a direita, abrindo caminho para consolidação de revisões constitucionais que arruinarão direitos inscritos e promulgados na constituição de 1988 (comemoramos 38 anos ontem 05/10/2026).


A liberação de exploração mineral em terras indígenas; o fim da paridade do BPC e da aposentadoria com o salário-mínimo; o desfinanciamento da cultura; retrocessos na legislação trabalhista – a exemplo da escala 7X0 que acaba com o descanso semanal remunerado; a redução de bolsas de pesquisa e investimento em pesquisa; a entrega de riquezas nacionais a corporações estrangeiras; corte em recursos para agricultura familiar e a privatização da água. São todos temas que terão facilidade de avançar no senado federal e na câmara dos deputados. Pois, a lógica liberal de organização do Estado superou significativamente os defensores da socialdemocracia.


VEJA O QUADRO DE REPRESENTAÇÃO EM CADA CASA LEGISLATIVA


Este quadro político imporá derrotas ao nosso povo, pois políticas importantes ao combate da desigualdade de renda e riqueza, a exemplo da imposição mínima de investimentos em saúde e educação, poderão deixar de existir. Durante os últimos governos de direita, o salário-mínimo teve apenas a recomposição da inflação, voltando a ter ganho real apenas após o retorno de Lula. A adoção dessas medidas levará em pouco tempo a vermos em nosso país o retorno da fome. Teremos tempos muito difíceis nos próximos anos, especialmente se nosso povo conceder a extrema-direita a gestão do executivo, pois já demos a gestão do legislativo brasileiro e possivelmente do judiciário. Nos restará às ruas.


 

 

 
 
 

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