Votamos pelo Futuro, Passado ou Presente?

Atualizado: 11 de out.

Esse parece ser um dos principais temas das eleições à Presidência da República. No entanto, antes de enveredar pelo caminho da filosofia precisamos conceber que vivemos em um Estado Burguês, ou seja, a acumulação privada da produção social é um elemento primordial ao debate político para mensuração de qual tempo verbal conjugaremos a ação governista que queremos. Nessa premissa de organização do Estado aqueles que produzem socialmente possuem menos representação nos poderes do Estado.
Um segundo ponto essencial é compreendermos os modelos de Estado que se encontram em disputa neste segundo turno. O atual governo possui um modelo socialdemocrata de viés liberal. Identificamos um governo que abre espaço no orçamento público para incluir trabalhadores e trabalhadoras e o povo em geral, limitado claro pela política fiscal que permite o crescimento de despesas de 0,6% a 2,5% entre um ano fiscal e outro. Para o sistema financeiro, o problema é outro, pois possuem a garantia de 30% da arrecadação do ano fiscal para ampliar sua remuneração pessoal, seu problema é como ampliar os ganhos de capital sem pagar tributos.
A oposição liberal de viés neofascista, promete um “tesouraço” nas despesas fiscais. Como não inclui as despesas financeiras, que deve ampliar os ganhos destes parasitas da riqueza nacional no caso de um governo do PL, restará cumprir o papel defendido pelos liberais, Estado Mínimo. Assim os programas e políticas sociais serão diretamente atingida pelos cortes da direita brasileira. Os mais jovens não lembram, mas vivemos isso nos governos de FHC, Temer e Bolsonaro, todos neoliberais que impuseram o crescimento do PIB e o equilíbrio fiscal por um caminho de dor, sofrimento e abandono do povo que produz efetivamente a riqueza de nossa nação. A fome não era um problema econômico e social, mas sim resultado de um Estado que não cuida de seu povo.
O terceiro ponto a ser observado consiste na disputa geopolítica mundial. Ao retomar o slogan a “América para os Americanos”, cunhado em 1823, por James Monroe, presidente estadunidense que deu início ao processo de anexação de países para atender os interesses daquela nação. Trump promove a retomada desta insígnia por compreender que o multilateralismo é uma realidade sem volta no concerto das nações, portanto ampliar sua área de influência - especialmente quando observamos o PIB de US$5,2 trilhões da América do Sul com o Brasil representando mais da metade desse valor - é o desejo do governo estadunidense, garantindo recursos estratégicos e financeiros, além da subordinação em temas geopolíticos das nações satélites. Assim, o debate sobre a soberania de nossa nação é um dos temas fundamentais ao debate público, nestas eleições, já que o candidato oposicionista afirmou que o Brasil seguirá sob seu governo os encaminhamentos do governo estadunidense.
Passada essas impressões gerais, mas importantes, é necessário compreendermos que o Futuro, Passado e Presente constituem-se como um todo permanente e indissociável. Acredito que o melhor teórico desta prosa foi Karl Marx, ao apresentar o conceito de materialismo histórico dialético: o materialismo consiste na base material da vida e as condições reais de existência; histórico em virtude da sociedade e as formas de produção mudarem ao longo do tempo; dialético em virtude da realidade está em constante movimento e transformação devido conflitos e contradições sociais.
Partindo desta premissa para olhar e analisar nosso conjunto social e as eleições, percebemos que sob o guarda-chuva da social-democracia liderada pelo petismo, as condições materiais de nosso povo melhoraram significativamente. Um dos principais indicadores é a fome. Durante a Ditadura Militar até o governo de FHC essa era uma realidade concreta, a qual voltou a se estabelecer nos governos Temer e Bolsonaro. Por duas vezes superada, pelo Governo Lula, a condição de um país identificado pela fome de seu povo, demonstrando-se o viés humanitário e includente do povo. Portanto, as condições materiais vividas são melhores para nosso povo, não havendo dúvidas de qual caminho escolher.
Quando observamos o tempo histórico devemos olhar para o processo de transformação do setor produtivo capitalista. Passamos por uma nova revolução industrial, onde a robotização, automação e a inteligência artificial dominarão o parque fabril, onde mãos humanas serão descartadas, por não serem necessárias ao processo de produção. Neste contexto, vivemos um dilema orgânico da estrutura do capitalismo, pois a idealização do lucro se efetiva pela capacidade de permitir gerar mais dinheiro, por meio do processo de transformação e da apropriação de parte deste trabalho transformador, pelo dono dos meio de produção. Mesmo, o trabalhador sendo roubado na sua capacidade produtiva, a remuneração de parte do seu trabalho possibilita a manutenção do sistema capitalista, já que o comércio é parte integrante da cadeia produtiva capitalista.
Perpassamos por processos reais de transformação do modelo produtivo capitalista, onde os dedos dos operários fabris deixam de ser a ferramenta para produzir o “mais valor”, criando-se uma das principais contradições teóricas do sistema capitalista, aliada a outra que se estabelece pelo ganho de capital por meio da especulação financeira, algo real coma partir da facilidade disponibilizada pelas tecnologias da comunicação. Assim, US$2 bilhões em Iene, em 24h, podem se transformar em 2.006 bilhões. Especialmente, em um país como o Brasil que paga juros reais acima de 10% em seus títulos da dívida pública e não retém imposto na transferência de lucros e dividendos ao exterior. Lula nesta última gestão buscou taxar esse tipo de ganho de capital, não conseguiu. Já seu oposicionista fala em ampliar as isenções de impostos para os mais ricos.
Como proteger esse trabalhador e trabalhadora cada vez mais longe da lógica produtiva capitalista é uma busca de cada estado nação? A redução da jornada de trabalho no setor de serviços é um dos caminhos adotados, a fim de permitir cada fez mais a geração de empregos no setor terciário da economia capitalista. Outra perspectiva é o fortalecimento do setor primário da economia, onde a produção de alimentos torna-se peça-chave à distribuição de renda e riqueza, além de garantir a segurança alimentar dos povos. No Brasil, essa pegada é enfrentada pelo petismo e sua social-democracia, no entanto atacada pelo neoliberalismo de viés fascista, basta vermos a ampla destruição de nossos projetos de assentamentos da reforma agrária. Até a primeira terra destinada para reforma agrária pelo Lula, em 2024, transforma-se, em Roraima, em área de plantação de soja.
Por último, olhemos a lógica da observação dos fatos sob o prisma da dialética, ou seja, a permanente disputa de classes entre os donos dos meio de produção e os donos da força de trabalho. As contradições permanecem latentes, mudou por parte da sociedade a percepção de classe, não por aqueles que possuem os meios de produção, mas sim, por aqueles que vendem sua força de trabalho e acham-se empresários, donos de seu destino, por fazerem seu horário, serem personalidade jurídicas, ou mesmo, trabalharem quando quiserem. No entanto, deixam de ver, mesmo enxergando a realidade de suas vidas, a exploração econômica a que são submetidos.
Neste contexto, vemos que retóricas comunicacionais como um “tesouraço” que deverá tirar a conquista do BPC – benefício pago a trabalhadores e trabalhadoras com 65 anos ou mais, PCD’s e pacientes em estágio terminal que recebem no núcleo familiar até ¼ do salário mínimo - seja equiparado ao salário mínimo, essa desvinculação, caso o PL ganhe as eleições, deverá afetar também as aposentadorias, já que a proposta do plano econômico destes neoliberais neofacistas é retirar todas as vinculações constitucionais, inclusive os investimentos mínimos em saúde e educação desapareceriam. Assim, em poucos anos teremos idosos e idosas passando fome em nossas cidades e muitos comércios de vilas e periferias urbanas fechados.
O pior é vermos pessoas pobres que sobrevivem de sua força de trabalho, muitas vezes em bicos, ou em contratos temporários e intermitentes que ultrapassam as 8h diárias de trabalho contidas na CLT – lembro aqui que o candidato do PL defende a jornada de trabalho 7X0, nesta pegada o descanso semanal remunerado e as férias remuneradas deixarão de existir. Já o limite de horas de trabalho como defende o recém-eleito senador, Mauro Mendes (União Progressista/MS), pode ser de 16h.
Como trabalhadores e trabalhadoras apoiam um programa político que ataca direitos civilizatórios?Questionou Lula recentemente.
Neste contexto, a dialética sofre um revés em favor dos donos dos meios de produção, com parcelas importantes das pessoas que vendem sua força de trabalho apoiando um projeto político que afirma em seu conjunto, a necessidade de uma educação de qualidade até o ensino médio, o ensino superior pode ser privatizado – essa proposta desde 1995 é defendida pelo BIRD e Banco Mundial – adotado esse modelo retroagiremos aos anos da década de 1970 a 1990, onde vermos filhos e filhas de trabalhadores e trabalhadoras cursando o ensino superior era motivo para festa. Compreendemos a gravidade deste retrocesso ou apenas fazemos de conta que não enxergamos o ataque?
Observado o conjunto destes pontos é primordial que no próximo dia 25/10/2026 escolhamos o caminho da socialdemocracia, representado pelo petismo. Não queremos retornar a um passado, onde o sofrimento, a exclusão social, a morte e a fome forjavam a dura realidade de nosso povo em grandes proporções – isso não significa que as contradições materiais em nosso país não existam, ainda surgem como barreiras imensas a serem superadas, mas a conjuntura parlamentar não nos permite saltos civilizatórios maiores. Muito menos procuramos um futuro incerto pautado por peças comunicacionais que inebriam os olhos, mas reproduzem exclusivamente o modelo de exclusão do passado ou reproduzem o modelo do presente.

Precisamos neste momento histórico, compreendendo as contradições existentes, os limites organizativos do campo da classe trabalhadora optarmos pelo voto na manutenção da atual conjuntura social e econômica que vivemos. Portanto, o voto no próximo dia 25/10/2026 deve ser dado pelas conquistas de nosso Presente, isso, em virtude de ser avanços ante as contradições de classe já superadas em nosso país. Compreendendo o presente temos melhores condições de ampliar os ganhos sociais, econômicos, culturais e civilizatórios de nosso povo para forjarmos um amanhã com um novo presente, com uma sociedade mais igualitária.
Bom dia com alegria
Jornalista Fábio Almeida



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