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Coluna Tucandeira – 12/07/2025

  • Foto do escritor: Fabio Almeida
    Fabio Almeida
  • 12 de jul. de 2025
  • 10 min de leitura

A semana foi quente em relação a megalomania de Donald Trump que acredita viver um anacronismo histórico, ver-se no final da década de 1980, ante a crise das repúblicas socialistas que levaram o escritor Fukuyama, afirmar que o liberalismo como pensamento de estado havia vencido a batalha sobre a premissa organizativa, onde o capitalismo se estabeleceu como modo de produção exclusivo no mundo. Esquecendo os demais arranjos das nações, como faz Trump na atualidade.


Nesta distopia, a partir da concepção do grego antigo, encontramo-nos com um “lugar ruim”. Esse lugar encontra-se na Casa Branca, administrada por um ser humano descompensado que acredita ser a única mente determinante da história da humanidade. Ou seja, segue-se sua compreensão de mundo e sua prática política ou o destino são sanções econômicas e artilharia pesada. Essa prática imperialista vivenciamos no mundo durante o período anterior à primeira guerra mundial, dos tempos modernos. Naquela época, vários eram os títeres que se apresentavam como detentores do poder de mando, hoje, temos apenas um insano que sanciona indiscriminadamente países, por motivos insustentáveis na geopolítica.


Primeiro, precisamos compreender as origens das sanções econômicas, agressão imposta ao Brasil e mais 20 países. A adoção desse critério sancionador de países, no concerto internacional, só é possível e válido por meio da ONU e seu conselho de segurança, para conter violações de acordos internacionais e ameaças à Paz. Desta forma, as medidas tomadas pelo governo estadunidense, a partir de leis internas, anteriores a carta compromisso da ONU, assinada por eles, consiste em crimes contra a humanidade. Como vivemos na prática com os resultados das ampliações das sanções econômicas impostas a República Bolivariana da Venezuela, a partir de janeiro de 2017, realizadas por Trump, em seu primeiro mandato.


Aquele momento histórico, das sanções unilaterais, deveria ter sido denunciado pelas nações e pela ONU, no entanto o silêncio projetou a forma como prática que se dissemina nesse segundo mandato, especialmente a partir da aliança estabelecida entre o governo estadunidense e os apátridas donos das Big Techs – assim podemos qualificá-los já que para Trump é impossível um país fazer uma companhia provedora de dados cumprir leis nacionais, portanto não há outro termo de exclusividade para esses barões do capitalismo que apátridas, os quais querem ser o governo, lógico sem Estado e sem direitos ao povo. Um mundo de Poucos para Poucos, onde a principal obra será a edificação de contentores de segregação.


Deixamos um barco à deriva, sem rumo, nem destino, chocando-se contra a soberania de outras nações, em tempos de conflitos intensos que se espalham por todos os continentes. Na prática, o uso de Fentanil pelos estadunidenses é motivo para taxar em 35% os canadenses, ou mesmo a imigração, serve para taxar em 35% o México. A África do Sul e a Tailândia foram taxadas respectivamente em 20% e 36% sem um motivo claro. No Brasil, o processo contra Bolsonaro e seus apoiadores e a obrigação que as Big Techs cumpram  a legislação brasileira foram o motivo para que o Brasil fosse sobretaxado em 50%.


Na realidade, ao olharmos a recente lista de países que sofrem com os atos imperialistas dos EUA, que se vangloriam em afirmar da grandiosidade do seu poderio militar, vemos que 90% deles integram o dito sul global – conjunto de países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos que traçam estratégias de autoproteção comercial para fugir das imposições das nações ricas, especialmente das opressoras políticas do FMI, como denunciou o Presidente Lula, em seu discurso no BRICS+, no último dia 06/07/2025. A tentativa do imperialismo estadunidense é quebrar os elos que reúnem as nações em torno de novas perspectivas desenvolvimentistas, onde a promoção humana é o foco central, não o empobrecimento das nações do sul, em prol do bem-estar dos irmãos do norte, como atia hoje os mecanismos financeiros dos países ricos.


Os EUA, perderam sua hegemonia política, em virtude de fatores econômicos, desde o fim da segunda guerra mundial, as condições de produção material ampliaram-se significativamente – isso lógico levou ao estresse ambiental que vivemos hoje – promovendo soluções locais para superação das desigualdades impostas pela centralização industrial nas nações mais ricas, a globalização econômica, forjada no “fim da história” e na ampliação de ganhos de capital, impôs um novo reordenamento produtivo, diversificando as plantas de produção pelo mundo inteiro. Essa premissa possibilitou uma reestruturação do poder político. O Brasil, por exemplo, ao suspender por 2 dias o embarque de proteína animal aos EUA impõe um caos alimentar naquele país. Assim, é o mundo, hoje.


Mas, na tosca mentalidade opressora de Trump, isso não é possível continuar. É preciso retroagir aos idos anos 1930, onde a produção industrial era centralizada nos eixos dos países imperialistas. Tanto é assim que na carta endereçada, por meio de uma rede social, ao Presidente Lula, afirma o Presidente “Laranja” que se as empresas quiserem ir produzir lá, não haverá mais taxas. Ou seja, busca a centralização econômica, para retomar sua centralidade política. Não há mais tempo para isso. As estruturas multipolares, forjadas pelo mundo possibilitam novos caminhos que se vislumbram possíveis devido a redução das distâncias, dos olhares e da burocracia, com o advento da internet e os avanços tecnológicos.


O movimento adotado por Trump, fora da caixinha operativa da vil direita brasileira que aplaude as sanções ao povo brasileiro, – grupo político que aprovou na comissão de relações internacionais da Câmara dos Depuatados, no dia da aplicação das sobretaxas de 50% as exportações brasileiras uma moção de aplausos ao Donald Trump, proposta feita pelo PL, partido de Bolsonaro – não possui sustentação econômica, nem política. O resultado prático será o isolamento dos EUA e a adoção pelos demais países de soluções comerciais, no âmbito da OMC que contraponham os riscos da humanidade às insanidades estadunidenses. Um dos caminhos a serem adotados rapidamente será a derrubada da hegemonia do dólar como moeda cambial admitida em todas as nações.


Continuará o dólar sendo referência para muitos países que não possuem riquezas internas, como poderá ser o se: o Real, ou o Yen, o Yuan, o Euro. Mas, a tendência com as sobretaxas é que as nações fujam rapidamente do dólar como moeda cambial nas relações de comércio. Essa mudança possui um grande significado político, possibilitando que a proposta do BRICS de um mundo multipolar seja vascularizada, antes do tempo. O erro geopolítico deste governo desastroso que se instalou na Casa Branca trará duras consequências aos Yankees do norte, o declínio da qualidade de vida daquele povo levará em breve a hordas de imigração, ante a pobreza que tende a se alastrar naquela nação.


Os riscos são enormes, pois a insanidade de Trump pode nos levar a mais conflitos bélicos, inclusive a conflitos atômicos que permitirão um retrocesso humano maior para nossas famílias. Esse sim, prejudicial, pois limitaria significativamente a sobrevivência das pessoas, especialmente aquelas mais pobres que sofrem com tensões belicistas diretamente, já que as mínimas condições de sobrevivência são retiradas de suas perspectivas.


Neste quadro de absurdos. O maior deles é ver um golpista que retornou à Presidência da República nos EUA sancionar outro país, devido seu “parceiro autocrata” ter em andamento um processo judicial que busca mensurar a culpabilidade de Bolsonaro na tentativa de golpe de estado - crime esse incluído no código penal pelo próprio ex-presidente. O outro fator é punir o país devido ele exigir que empresas cumpram a Lei dos país onde elas operam. Se as instâncias internacionais não punirem exemplarmente os EUA, isolando as pretensões imperialistas do atual governo, veremos essa arbitrariedade espalha-se contra nações mais frágeis economicamente, fazendo com que autocratas parceiros do Trump tenha facilidade de ascender ao poder político, colocando desta forma em risco as minorias sociais, raciais e políticas.


Ao Brasil resta a posição acertada do Presidente Lula, negociar a retirada da sobretaxa, caso não haja espaço para isso retaliar com taxas, conforme determina a Lei brasileira, aprovada recentemente pelo congresso, legislação essa que a maioria dos Vassalos do PL votaram contra. No entanto, defendo que o Brasil possua inteligência na aplicação dessas sanções aos EUA. Ao invés de impor taxas aos produtos estadunidenses, aplicaria com base nas resoluções da OMC, duas modalidades importantes de sanção, para nossa economia local. 


A primeira delas seria taxação de 50% de remessa de lucro ao exterior das empresas estadunidenses instaladas no Brasil, a taxação seria suspensa se os valores fossem reinvestidos na economia real brasileira. A segunda consiste na quebra de patentes, processo esse que poderia fomentar nossa indústria farmacêutica na produção de medicamentos e insumos que precisamos adotar em nossa rede de atenção à saúde. As taxas sobre mercadorias deverão, em minha opinião, ser direcionadas a itens de luxo e bebidas destiladas. Esse caminho, se adotado, seria de grande inteligência.


Por outro lado, precisamos encontrar novos mercados para nossos produtos. Especialmente o café e o suco de laranja. O melhor caminho será encontrar um país que faça a ponte na comercialização dos produtos com os EUA. O café, ante a demanda crescente da Ásia, poderia ser direcionado de forma fácil, já o suco de laranja, teria como destino a Europa - porém as barreiras protecionistas necessitarão ser vencidas, o continente africano e a América Latina, além do mercado interno. Os demais produtos, à exceção do setor de peças e a Embraer, teriam mercados abertos em todo o mundo. Para esses dois setores destacados temos um trabalho maior a ser enfrentado. A Embraer menos, pois contratos fechados com a Europa e Ásia permitem fôlego, já que não houve, nos últimos anos, aquisições estadunidenses de nossos produtos aeroviários. 


Mas, o setor de peças necessitaria de muita habilidade da diplomacia brasileira para reverter a situação que na prática em minha opinião terá como resultado central, a continuidade da aquisição desses produtos e o aumento dos custos para os estadunidenses de classe média que terá que pagar mais caro pelas coisas, devido os delírios de Trump, aplaudidos aqui por outros mentecaptos, a exemplo do Governador do São Paulo Tarcisio de Freitas, aquele que colocou na cabeça o chapéu do MAGA, movimento de extrema-direita estadunidense que defende um país imperialista e centralizador da produção industrial. Metaforicamente, esse ato, seria como a galinha todos os dias convidar a raposa para vigiar seus ovos. 

Ascensão do Extremismo nos EUA

Steve Bannon é um dos promotores do extremismo de direita no mundo, aliado de Eduardo Bolsonaro, parece que conseguiu convencer Trump da necessidade de intervir no Brasil, ferindo a autonomia e arranhando a aliança estratégica que os países mantém nos ultimos 200 anos, no cenario internacional. Muitos foram os momentos de distanciamento político entre os chefes das nações, especialmente quando a questão refere-se a guerras e a diplomacia brasileira possui uma orientação pela Paz. 


Um dos momentos mais críticos dessa relação ocorreu quando da invasão dos EUA ao Iraque, em 2003. Bush filho, afirmava existir armas químicas no país agredido, enquanto a organização para a proibição de armas químicas, presidida pelo diplomata brasileiro, José Maurício Bustani, afirmava não existir. Ameaçado e perseguido, Bustani afastou-se da organização, logo depois Bagdá sofreu com uma chuva de ogivas que dilaceraram um povo. Hoje, sabe-se que Bustani estava certo, os EUA nunca responderam por esse crime contra a humanidade.


No entanto, Bannon parece ter retomado a força que exerceu sobre Trump durante seu primeiro mandato, esse quadro é imprevisível, já que Bannon flerta com o pior da extrema-direita. Em um evento paralelo durante a posse de Trump, em 20/01/2025, Bannon ao anunciar a presença do partido neonazista alemão NPD, o fez com a saudação marcante durante o nazismo, com o braço direito estendido, a mão espalmada e os dedos juntos.


Os Republicanos, no primeiro mandato de Trump, conseguiram deter as marcas intervencionistas de Bannon sobre as nações. Na atual quadra histórica parece que a maioria do partido possui proximidade com as aventuras autocratas e opressoras defendidas por Bannon, situação que coloca em risco a frágil estabilidade política mundial, até porque, como apresentei anteriormente a tendência é ampliasse os laços multilaterais, reduzindo-se a influência estadunidense sobre o mundo e o comércio, quadro que possibilitará o uso de armas, de forma não negociada como ocorreu nos ataques realizados no Irã, por parte dos dois governos.

O mundo da fantasia de Denarium

No último dia 09/07/2025, aniversário de nossa querida Boa Vista, o programa que defende posições antidemocráticas, Bom dia Roraima, veiculado na rádio Folha, recebeu o Governador Cassado Antônio Denarium. Nesse mundo de fantasias não encontramos meninas e meninos pudicos e inocentes, mas sim, políticos cara de pau que se refestelam em privilégios, benefícios e mentiras. Segundo o governador cassado, o Estado continua a investir na troca de pontes de madeira, por ponte de concreto, em 6 anos de mandato foi trocada uma ponte apenas. Nos últimos 6 anos, Denarium anuncia o asfaltamento da RR 460, estrada já asfaltada por Anchieta. Para, o Cassado, o problema da saúde é apontado como de responsabilidade dos municípios, apesar do governo Estadual não investir um centavo na estratégia de saúde da família ou no atendimento básico, para ele, o problema não está na corrupção nunca investigada pelo governador, especialmente o contrato de faturamento do SUS, devido bater às portas do gabinete de uma autoridade, ou mesmo, na falta injustificável de medicamentos e materiais que levam pessoas a morte.


Denarium continua a terceirizar a responsabilidade da incapacidade da gestão de seu governo. O que é ruim, a culpa é dos outros. O que é bom, o povo não ver, pois atende apenas às expectativas das pessoas mais ricas do Estado. Ou os monopólios privados que Denarium tenta criar com as benesses e a ação do Estado, em seu benefício. A ADER, ao adotar os critérios de exportação de carne para frigoríficos que comercializam proteína animal apenas internamente, impôs uma redução no abate em 3 frigoríficos, o resultado prático aumento do preço da carne, devido o Frigo 10 - construído com recursos federais a juros subsidiados e isento de qualquer pagamento de ICMS - centralizar a comercialização, ampliando os lucros privados de Denarium.

Esquerda e Centro-Esquerda

É necessário que o PT, PSB, PDT, PV, PSOL, PCdoB, PCB, UP, PSTU e PPRI tenham a capacidade política de superar momentaneamente suas diferenças nacionais e internacionais, promovendo um diálogo em torno de uma ação conjunta localmente. A ascensão da extrema-direita e da direita ao poder político local, permite a adoção de uma ação de desmonte do Estado que amplia as desigualdades e a privatização dos espaços públicos. Políticas efetivas de reconhecimento e inclusão de vozes e práticas populares não existem, no âmbito do estado. Política sob a perspectiva revolucionária ou reformista devem e continuam a ser uma distinção entre a social-democracia e a esquerda revolucionária, mas centrar o debate nessa premissa e permitir que o desmonte da CER e CAER avance sem uma posição unificada desses partidos localmente, demonstra nossa incipiência política, bem como que nossas formações políticas serviram apenas para elucubrações midiáticas, não para forjar a efetiva luta da classe trabalhadora que se constrói por meio de alianças locais, como forma de contrapor a hegemonia das infra e superestruturas da gestão liberal. Avançar nesse sentido é necessário. Uma pauta de cunho local para forjar uma unidade de resistência é o único caminho possível para retomada de um protagonismo junto a classe trabalhadora, O que fazer não falta. Necessitamos apenas de militantes com poder nos partidos e vontade política, isso não significa necessariamente aliança eleitoral, mas aliança política, em torno de um programa mínimo.


Bom dia, com alegria

Fábio Almeida

 
 
 

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