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Coluna Tucandeira 26/01/2026

  • Foto do escritor: Fabio Almeida
    Fabio Almeida
  • 26 de jan.
  • 9 min de leitura

Passamos alguns dias sem nos encontrar nesse espaço de diálogo e reflexão. A ausência deve-se a necessidades pessoais e às férias do final de ano. Neste período foram muitos os assuntos que marcaram a vida social e política roraimense e brasileira. Retomamos aqui o processo de publicação de nossa coluna, como sempre, permaneceremos nos encontrando todas as segundas-feiras. Peço gentilmente desculpas a todos e todas que nos acompanham semanalmente.


Na publicação da próxima semana trarei a última análise da reforma administrativa apresentada pela direita brasileira no âmbito da câmara dos deputados, aos que ainda desconhecem a proposta basta acessar as últimas colunas publicadas para entender o ataque proposto não apenas ao serviço público, idealizado pela nossa constituição, mas também a autonomia dos entes federados e na organização dos serviços públicos, estes possuem amplo incentivo à privatização.


Neste retorno proponho analisar a crise na direita e extrema-direita roraimense. Neste ano teremos eleições, com a impossibilidade da reeleição de Denarium e a inflexão do bolsonarismo em efetivar uma aliança com o MDB de Jucá, o barco da oligarquia rural que chegou ao centro do poder político nas terras de Makunai’mî começa a fazer água e os ratos bradam que pularão do barco.


O primeiro deles foi o senador Mecias de Jesus que devido aos altos índices de rejeição popular e a perda dos votos do bolsonarismo, que migrarão para a nau jucariana, resolveu garantir um cofrinho particular com sua eleição para compor a corte do TCE. Denarium adorou a ideia seria menos um concorrente e evitar-se-ia, dessa forma, uma briga com quem conhece seus podres - olhe que são muitos, basta ver as operações policiais e o envolvimento de sua família e amigos na grilagem de terras em Roraima como aponta a CPI das terras.


Sampaio e Edilson Damião viram dessa forma a facilitação da sucessão de Denarium, ratificando um acordo, fechado nos quartos escuros da gestão pública roraimense, com um dos dois assumindo o governo e o cargo de vice. Se Denarium tiver sua cassação confirmada, Sampaio vai ao Governo, com Damião Vice. Se o Ministro Nunes Marques conseguir negociar os votos no TSE - procedimento que André Mendonça desistiu depois de publicizado seus contratos com o governo de Roraima - a chapa seria invertida, com Damião assumindo a titularidade e Sampaio o cargo de vice. Parece que a política se constrói dessa forma simplória, mas esse é o acordo dos praças.


Os Deputados Estaduais adoraram a trativa, pois teriam efetivamente um nome deles para ampliar seus projetos pessoais, ou seja, de um ou outro jeito os mais de R$450 milhões que custa a ALE/RR seria multiplicado po 10, além, lógico, dos cargos comissionados, os quais já começaram a ser indicados pelo governo. Nesse acordo o incompetente do Denarium acredita que continuará a ser o candidato governamental, ilusão que apenas Denarium acredita, mas é bom que continue a acreditar, pois temos que defenestrar das representações políticas esse cidadão que tanto mal fez ao nosso Estado.


Neste lapso entre o desejo e a realidade, a oligarquia rural perdeu a aliança com a extrema-direita, responsável pela capilarização de votos que os levou ao palácio do governo. O Bolsonarismo sentindo-se rejeitado foi encontrar aconchego no colo do grupo político do MDB, o qual durante muito tempo foi qualificado como de "ladrões" por Bolsonaro e seus aliados roraimenses. Essa realidade em um Estado que continua a demonstrar voto espontâneo na casa de 42% para Bolsonaro é um capital político que induz ao rachar no atual grupo que governa Roraima.


Mas, Mecias, aquele que financiou casas que não foram construídas  e quer analisar essas contas no TCE, resolveu tornar pública a conta da sua desistência. Afirmou, por meio de uma nota que pode assumir o cargo de conselheiro ou manter a candidatura. Poucas são as vezes que vemos mandatários cobrando a conta assim, na cara dura. Outro que anda apresentando sua fatura é Hiran, o senador do lobby da saúde privada, sempre foi mais afoito quer que sua esposa, atual secretária de estado, seja a vice-governadora, na chapa de Damião, caso contrário poderá negar a candidatura de Denarium, o Cassado, ao senado federal.


Essas incertezas da direita roraimense e da extrema-direita, somada ao grave quadro de abandono humano que enfrentamos em Roraima, abre possibilidades eleitorais para novos engenhos políticos que permitam a superação dessa aliança da oligarquia agrária com determinados ramos empresariais e da plutocracia que governa nossa capital. É possível que uma aliança entre a centro-direita e a centro-esquerda possa transformar a realidade de abandono que vive a maioria de nosso povo. Mas, será que as representações políticas desses segmentos políticos possuem coragem de deixar de comer as migalhas que caem do banquete dos mais ricos que controlam o poder político em Roraima?

PM

Vivemos um grave problema em relação ao comando militar em nosso estado. Os limites entre a legalidade e a ilegalidade foram nesses últimos 7 anos de governo do Denarium ultrapassados, pior, protegidos pelo Governador Cassado. Aqui temos problemas estruturais sérios. Primeiro, o processo de oficialato na polícia militar roraimense é muito frágil, uma pessoa com 12 anos de serviços prestados pode se tornar coronel, um absurdo. Precisamos urgentemente mudar as diretrizes que permitem promoções em escala dos policiais, muitas das quais exclusivamente para atender interesses políticos - a exemplo das indicações para o corpo militar especial que recebe em média 25% a mais no soldo e é conduzida pelos PM's mandatários.


Na última semana, vimos outra cena repugnante produzida pelo comandante da polícia militar, em um evento com a presença de Denarium O Cassado, ao afirmar que abriria um procedimento administrativo contra uma Major que reclamou nas redes sociais dos salários e das condições de trabalho. Em sua fala chegou a alegar que a Major possuía relação com a ex-prefeita Teresa, tentando transmutar as falas que cobram melhor condição de trabalho, para um problema político. O pior é que a fala foi proferida em um espaço público, na frente do governador, transparecendo que qualquer servidor público que possa apoiar outras pessoas pode sofrer sanções do governo dos ricos.


O Numur em conjunto com outras organizações de mulheres saíram em defesa da Major, tendo em vista a tentativa de silenciamento de uma mulher, infringindo o Coronel a Lei 14.321/2022, especialmente quando afirmou que a militar que publicou reclamações nas redes sociais seria punida com certeza. Lembro que a relação da PM com a militar feminina é de subjugação, cerca de 70 mulheres passaram mais de 40 dias acampadas na frente do palácio do governo para serem chamadas no concurso da PM, pois haviam sido desclassificadas apenas por serem mulher, ainda bem que o STF resolveu essa questão.

Grana para segurança

O governo Lula em 3 anos de mandato já enviou mais recursos para o Fundo Estadual de Segurança Pública de Roraima (FESP/RR) do que enviou Bolsonaro em 4 anos de gestão. Isso demonstra a efetiva mudança e a prioridade que o governo federal possui em tentar fortalecer as ações dos Estados, constitucionalmente responsáveis pela segurança pública. No entanto, dos R$128 milhões enviados entre 2023 e 2025, o incompetente governo Denarium possui R$120 milhões em caixa rendendo juros no banco. Com a ineficiência administrativa desse governo estadual deixamos de investir recursos na melhoria da qualidade de vida de nossos policiais e no combate a violência contra as mulheres. Enfim, não podemos esperar nada de um governador que afirma não possuir dinheiro para investimentos em segurança e possui milhões guardados em banco. O problema é a gestão de Denarium, estruturada apenas para atender os interesses dos mais ricos.

Aumento na conta de energia

O roraimense, desde ontem, pagará quilowatt de energia mais caro. A ANEEL aprovou um aumento para os consumidores residenciais de 22,69%, esse impacto orçamentário afetará milhares de unidades consumidoras. Excluem-se as famílias que ganham até ½ salário mínimo e consomem até 80Kwh que desde junho de 2025 são isentas do pagamento de tarifas de energia elétrica. Some-se as famílias que ganham entre ½ e 1 salário mínimo que desde primeiro de janeiro possuem descontos que variam entre 9% e 18%, se consumirem até 120kwh.


A composição dos custos que autorizaram o aumento consiste no impacto orçamentário dessas renúncias aprovadas pelo congresso nacional, além do pagamento dos custos da entrada em operação do linhão de Tucuruí que necessita ser pago pelos usuários do sistema. Aqui temos questões distintas que necessitam ser observadas no debate sobre o custo de nossa energia elétrica. 


Em primeiro lugar a tarifa social de energia é uma política efetiva de segurança alimentar e deve sim ser pensada por nossa sociedade. O problema é como podemos socializar essa política com toda a comunidade. Como política social de ampla importância consiste em um progrma variável, portanto devemos debater claramente com o congresso nacional a forma de cobrança, de uma ação social que permite mais renda no bolso das famílias mais pobres.

A forma de socializar o custo tá errada, esses valores não podem integrar o valor da tarifa do quilowatt, mas deveria ser identificada como uma contribuição social dos demais usuários, onde não deve incidir os impostos estaduais e as contribuições federais. É fundamental que possamos fazer esse debate abertamente, pois ao incidir o custo da tarifa social no valor do quilowatt ampliamos o lucro do concessionário e a arrecadação do governo. Portanto, a forma de cobrança é errada e precisa ser revista.


O outro ponto consiste claramente no pagamento da construção do linhão de Tucuruí que precisa ser pago por nós consumidores. Aqui, também precisamos ter essa cobrança distinta do custo da tarifa, ou seja, do valor do quilowatt, pois a lógica é a mesma da tarifa social, amplia o lucro da concessionária e a arrecadação do governo. O pagamento dos investimentos possuem prazo e tempo, devendo ser ressarcidos de forma objetiva e transparente na conta de luz, não incidindo na composição da tarifa que deve conter apenas os custos do fornecimento da energia elétrica a cada unidade consumidora.


Outra questão a ser enfrentada no valor da tarifa, consiste no desligamento das termelétricas que mantinham nosso sistema isolado. O valor pago pelos roraimenses até a entrada em funcionamento do linhão de Tucuruí, socializava na composição tarifária 30% do valor do diesel ou gás usado para geração de energia. Desta forma, é necessário observar se esses valores foram retirados da atual tarifa. É fundamental que o MPE atue nesse caso para que possamos ter clareza do efetivo custo que temos que pagar pelo consumo de energia, não podemos penalizar a classe trabalhadora com aumentos que na prática consiste em um confisco da riqueza local.

A Marcha do Desespero

O deputado Nikolas Ferreira é um parlamentar que apesar da proximidade com o bolsonarismo é na prática descartado pelos caciques da extrema-direita. De forma ousada, se propôs a realizar uma caminhada, com objetivos meramente políticos que ampliará sua influência no campo dos extremistas golpistas. Sob o mantra "liberdade a Bolsonaro" aparecerá como uma referência nacional para esse segmento político, bem como se qualificará para ser candidato ao governo de Minas Gerais, já que completa 30 anos em maio de 2026. Na prática Nikolas reacendeu a lógica do golpe em sua marcha de 240 quilômetros, ao afirmar que alí se encontram políticos perseguidos pelo STF, mesmo que as provas demonstrem o contrário e os comandantes do exército e aeronaútica tenham afirmado ao STF que se discutia, sim, a tentativa de um golpe de estado, após a derrota de Bolsonaro.  


A ousadia não teve a adesão da mídia burguesa, muito menos as redes sociais amplificaram a caminhada. O evento final em defesa dos golpistas contou com cerca de 18 mil pessoas, as quais mesmo com a orientação de riscos, devido às fortes chuvas, foram à praça do Cruzeiro em Brasília, local em que 88 pessoas foram atingidas por uma descarga elétrica, cerca de 2 dezenas ainda se encontram internadas. Nikolas Ferreira e os demais organizadores devem ser responsabilizados por expor brasileiros e brasileiras a risco de vida, pois havia uma determinação de que os candangos permanecessem em casa devido aos riscos promovidos pela tempestade que chegava à capital federal.

MST

Na última semana, o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra realizou seu encontro nacional. Os cerca de 3 mil militantes, além de aprovarem a nova estrutura diretiva da entidade - mudança realizada após 40 anos - reafirmaram seus programas de reforma agrária popular e agroecologia em seus assentamentos. Politicamente denunciaram vários processo impostos pela política nacional e internacional, dois deles foram a denúncia do sequestro do presidente da Venezuela e o genocídio em Gaza. A entidade aprovou o envio de brigadas para os dois países, a fim de contribuir localmente com o processo de organização popular de resistência ao imperialismo. No evento foram lançados 2 livros, LGBT SEM TERRA: rompendo cercas e tecendo liberdade e EscreVivências, ambos pela Expressão Popular.

PT Roraima

Em recente entrevista concedida pelo presidente estadual, Benedito Albuquerque, foi reafirmado o interesse do partido em apresentar um candidato ao governo do estado de Roraima. A última candidatura petista ocorreu na década de 1990, o longo período sem apresentar um programa popular para superar as desigualdades em nosso Estado, afastou o partido do conjunto da classe trabalhadora e de nossos jovens. A atual gestão parece querer superar esse tempo e consolidar um novo projeto político para o partido, adotando uma postura de diálogo com movimentos sociais e com empresários, possibilitando dessa forma a construção de elos que podem levar o PT a governar Roraima, superando a desconstrução partidária feita pela direita roraimense que governa nossa terra desde a criação do território. A novidade será importante para o debate político local, especialmente pelo tempo de TV que possui o PT.


Bom dia com alegria.

Fábio Almeida


 
 
 

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